Em Anta Gorda, casal Arlei e Juliana Parisotto quer incrementar produção

Até o momento são 46 embriões transferidos, resultando em nove receptoras prenhes de fêmea e outras 15 a serem confirmadas

 

Desde o início do ano, a Dália Alimentos vem investindo no Projeto Transferência de Embriões (TE), que visa o melhoramento genético dos rebanhos de associados, aumentando o potencial produtivo dos animais e o volume de leite entregue à cooperativa. Tudo isso, devido à capacidade de produção de leite de uma vaca ser influenciada pelo seu potencial genético e pelo ambiente e manejo ao qual está exposta.

De acordo com a coordenadora do projeto e médica veterinária, Vanessa Calderaro Dalcin, a iniciativa surgiu da necessidade de promover o melhoramento genético dos animais de maneira mais rápida e eficiente. “A partir da transferência de embriões, o associado pode ter uma vaca de boa genética e alta produção em um curto período de tempo, processo esse que poderia levar várias gerações, em torno de 12 a 20 anos, caso fosse utilizado somente o melhoramento através da inseminação artificial”, detalha.

A melhoria da produtividade dos animais gera aumento de renda na propriedade e, consequentemente, o desenvolvimento econômico dos associados. Vanessa detalha que a transferência de embriões é uma técnica pela qual são produzidos embriões através da fertilização “in vitro”, de uma fêmea chamada Doadora e transferidos para outra fêmea denominada Receptora, que servirá como “barriga-de-aluguel” durante a prenhez.

As doadoras são selecionadas dentro do rebanho de associados que realizam, mensalmente, o controle leiteiro oficial das associações de raça. “Essas vacas apresentam excelente produção leiteira, acima de 12 mil litros em 305 dias, aliadas a outras características de importância como longevidade, fertilidade e boa conformação corporal”, explica a veterinária.

As principais propriedades doadoras de genética do projeto são as dos associados Lidenor Giliotto, de Serafina Correia, e Adair Baggio, de Guaporé. Em maio deste ano, esses associados foram premiados pela Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) por possuírem animais que se enquadraram nas melhores lactações do Estado. Além disso, a propriedade de Giliotto teve dois animais na lista nacional dos destaques da raça.

 

Como ocorre o processo

Os óvulos das doadoras são coletados e fertilizados em laboratório, no sistema “in vitro”. Em torno de sete dias após a fertilização, o embrião está pronto para ser transferido. As receptoras são selecionadas dentro do rebanho dos associados interessados em adquirir essa tecnologia.

São utilizadas, principalmente, novilhas com boa condição corporal e sadias, todas com testes negativos de brucelose e tuberculose e vacinações para doenças reprodutivas. Este animal, por sua vez, é submetido ao exame ginecológico completo e a um protocolo de sincronização de cio para que esteja apto a receber o embrião no dia programado.

As rotinas do projeto iniciaram-se em março e até o momento são 46 embriões transferidos, resultando em nove receptoras prenhes de fêmea e outras 15 a serem confirmadas. “A proposta vem sendo bem aceita pelos associados, pois além de adquirir excelente material genético, somente pagam pela receptora que estiver prenhe aos 90 dias, após a transferência do embrião e com garantia de nascimento de fêmea”, esclarece a veterinária. A taxa de prenhez esperada é em torno de 50% para novilhas e de 30 a 40% para vacas. “Estamos contentes, pois já no início do projeto ficamos dentro destas metas,” afirma Vanessa.

Participam do programa os produtores Arlei Parisotto e Mauro Casagranda, de Anta Gorda; Gilberto Piccinini e Luiz Bonfanti, de Encantado; Luis Carlos Marchese, de Arvorezinha; Adriano Wollmann, de Candelária; Eusébio Morsch e Jaino Finkler, de Vale do Sol.

 

À espera dos “bebês”

Dois produtores de Anta Gorda estão na expectativa para que, no mês de janeiro de 2014, nasçam as primeiras terneiras frutos do projeto. Na propriedade de Arlei e (42) e Juliana Parisotto (33), em Linha Dr. Borges de Medeiros, o objetivo é aumentar e qualificar a produtividade.

O casal possui um rebanho de 83 vacas; dessas 35 estão em lactação, com produção de mil litros de leite/dia. No aguardo há anos para que a cooperativa iniciasse o projeto, logo se inscreveram para participar com fêmeas receptoras. “Nossa principal preocupação é dispor de vacas produtivas e melhoradas geneticamente”, diz Juliana.

Além do casal, também auxiliam na atividade leiteira e moram na propriedade, que tem mão-de-obra familiar, os pais de Arlei, Adolfino e Lurdes, e os filhos do casal Rafael (13) e Rakeli (4).

Situação similar vive Mauro (50) e Eliane Casagranda (42), de Linha Santos Filho. Com 58 animais, 30 destinados à produção leiteira, o volume de leite produzido por dia é de 540 litros. Com uma novilha confirmada prenha, o casal e o filho Maurício (11) aguardam a chegada da primeira terneira. “O processo é bem mais rápido que inseminar e a gente sempre buscou boas vacas. É preciso se profissionalizar para não ficar para trás”, considera Mauro.

A família atua com leite há duas décadas e, desde então, busca qualificar o rebanho com animais mais eficientes e produtivos. “Temos essa preocupação com o porte dos animais e com a alimentação, porque queremos vacas boas e com alta produtividade. Este é o nosso objetivo”, completa Eliane.

 

“Mamães” doadoras

Grande parte das doadoras de embriões é oriunda da propriedade de Lidenor Giliotto, em Linha Porto Alegre, interior de Serafina Corrêa. Ele, que também é Conselheiro de Administração da cooperativa, é um dos maiores produtores da Dália.

Dono de uma propriedade modelo, possui auxílio dos filhos Paulo, Rogério e Guilherme, e de outros quatro funcionárias, para o desempenho das atividades que exigem mão-de-obra diária e intensificada.

Na propriedade são 130 vacas em lactação, de um total de 260 animais. A produção diária é de 4,8 mil litros de leite, com estimativa de incremento a médio prazo. O sistema de ordenha é todo automatizado e realizado três vezes ao dia.

Giliotto explica que tornar as vacas doadoras é tornar também a atividade mais lucrativa. “Este trabalho dedicado com o leite é feito há 35 anos, com foco na genética, na boa alimentação e no manejo, visando a lucratividade.”

Fonte: Dália Alimentos

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